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Porsche Macan: atualização até 2025 e 100% elétrico em 2023

Porsche Macan 2022 azul escuro estacionado em sala de exposição moderna com vidro e luzes LED.

No percurso das empresas há escolhas particularmente difíceis, como a de alterar por completo um modelo que gera receitas muito elevadas, como sucede com o Porsche Macan (600 000 unidades vendidas desde a primeira geração, lançada em 2014, e sempre com margens de lucro confortáveis).

Há dois anos, quando o diretor executivo da Porsche, Oliver Blume, anunciou que a marca deixaria de ter motores Diesel, isso causou algum mal-estar na rede de concessionários, uma vez que a maioria dos clientes europeus preferia os SUV Diesel da Porsche, mesmo sendo a China o maior mercado do Macan.

E agora voltava a existir o risco de provocar desagrado interno e entre muitos clientes, caso se confirmasse que o sucessor do Macan teria apenas uma variante 100% elétrica, o que levou a um ajuste na estratégia. Assim, o atual Macan permanecerá no portefólio da Porsche até meados desta década (2025), com alguns retoques no desenho exterior e uma nova geração de sistema operativo no habitáculo, para continuar comercialmente competitivo.

Muda mais por dentro do que por fora

Aquilo que menos se altera é o design exterior, com discretos retoques na frente do SUV médio (em preto), um novo difusor na traseira e faróis LED com funcionamento dinâmico a passarem a ser equipamento de série nas três versões do modelo.

No interior, a evolução é bem mais evidente, com a estreia de uma nova geração do sistema de infoentretenimento: os botões deram quase todos lugar a comandos táteis no novo ecrã central de 10,9”, com um novo sistema operativo, e esta nova consola central fica completa com um novo seletor da transmissão (sempre a automática PDK, de sete velocidades, com dupla embraiagem).

O volante multifunções, mais desportivo, também é novo (“emprestado” pelo novo 911), embora a Porsche tenha ficado a meio caminho nesta renovação ao optar por manter a instrumentação analógica diante do condutor.

Motores ganham rendimento

Do ponto de vista mecânico há evoluções interessantes. O pequeno quatro cilindros de 2.0 l (o favorito no mercado chinês) recebe mais 20 cv e 30 Nm, passando a debitar 265 cv e 400 Nm, valores decisivos para que o sprint dos 0 aos 100 km/h possa ser feito em 6,2s e a velocidade máxima chegue aos 232 km/h (face aos 6,7s e 225 km/h do antecessor).

Um patamar acima, o Macan S regista um ganho de potência ainda maior (26 cv), para um total de 380 cv e os mesmos 480 Nm de antes, reduzindo em 0,7s a aceleração dos 0 aos 100 km/h (de 5,3s para 4,6s) e aumentando a velocidade máxima de 254 km/h para 259 km/h.

Por fim, o Macan GTS aumenta a potência máxima em 60 cv, subindo de 380 cv para 440 cv, o que lhe permitirá compensar o desaparecimento da versão Macan Turbo. O GTS conseguirá acelerar até aos 100 km/h em 4,3s (antes 4,9s) e continuar até aos 272 km/h (261 km/h anteriormente).

Ainda assim, tal como já acontece hoje com o Macan Turbo, o novo Macan GTS continuará a ter dificuldade em rivalizar com os BMW X3 M/X4 M, o Mercedes-AMG GLC 63 ou mesmo o Alfa Romeo Stelvio Quadrifoglio, todos eles sempre acima dos 500 cv de potência máxima.

A versão de topo conta com suspensão pneumática de série, que baixa a altura ao solo em 10 mm e aumenta a rigidez (10% no eixo dianteiro e 15% no traseiro). Todos os Macan têm tração integral e, com exceção da versão mais acessível, controlo variável do amortecimento em cada roda (PASM). O Macan GTS pode tornar-se ainda mais desportivo e eficaz com o Pacote Sport, que inclui jantes de 21” com pneus mais desportivos, sistema de vetorização de binário Porsche Plus e pacote Sport Chrono.

Elétrico em desenvolvimento

Em outubro teremos, então, a geração melhorada do Macan nas estradas, enquanto prosseguem também os testes dinâmicos do futuro modelo totalmente elétrico.

Depois das primeiras sessões de desenvolvimento em ambiente fechado, no circuito de testes de Weissach, em junho começaram as primeiras saídas para estradas públicas, com os SUV devidamente camuflados: “o momento do arranque dos testes em ambiente real é um dos mais importantes de todo o desenvolvimento”, assegura Steiner. Aos incontáveis quilómetros “percorridos” em simulação por computador, o Macan 100% elétrico somará cerca de três milhões de quilómetros reais quando for lançado no mercado, em 2023.

O trabalho está a ser desenvolvido há já bastante tempo sobre a nova plataforma elétrica PPE. “Começámos há cerca de quatro anos com os estudos aerodinâmicos em computador”, revela Thomas Wiegand, responsável pelo desenvolvimento de aerodinâmica. Como sucede com todos os veículos elétricos, a aerodinâmica é especialmente importante, pois até as mais pequenas melhorias no fluxo de ar podem trazer bons resultados.

Mas não foi apenas a aerodinâmica ou os primeiros milhares de quilómetros que foram feitos em computador. Também o novo quadro de instrumentos e o ecrã central foram desenvolvidos de forma inteiramente virtual e só depois instalados nos primeiros painéis de bordo. “A simulação permite-nos avaliar os ecrãs, os processos operativos e a resposta geral do sistema ainda antes de o cockpit estar concluído e de o colocarmos nas mãos de um engenheiro de testes no veículo”, explica Fabian Klausmann, do departamento de Experiência de Condução da Porsche.

Já Steiner sublinha que “tal como o Taycan, o Macan elétrico terá prestações tipicamente Porsche graças à sua arquitetura de 800 V, o que significa autonomia adequada para viagens longas, carregamentos rápidos de alto desempenho e performances dinâmicas de nível muito elevado”. Ao mesmo tempo, deixa a promessa de que este será o modelo mais desportivo do seu segmento, ao contrário do que hoje acontece na gama com motores a gasolina face à concorrência alemã, muito bem apetrechada.

O sistema de propulsão elétrica (da bateria ao motor) exige um conceito sofisticado de arrefecimento e controlo de temperatura, muito diferente do que acontece nos automóveis com motores de combustão. Enquanto estes têm uma temperatura ideal de funcionamento entre os 90 ºC e os 120 ºC, na propulsão elétrica os vários componentes principais (eletrónica, bateria, etc.) “preferem” temperaturas mais moderadas, entre os 20 ºC e os 70 ºC (dependendo do componente).

Autores: Joaquim Oliveira/Press-Inform.

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